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quarta-feira, 5 de março de 2014

A CARRUAGEM VIROU ABÓBORA


O Leverkusen ainda é o time que pode se vangloriar de ter sido o ultimo time a ter vencido o poderoso Bayern de Munique na temporada passada. Mas é a única coisa de que o torcedor da cidade da industria de remédios pode se felicitar, apesar da vice liderança que ostentou por muito tempo, o que se demonstrou apenas uma questão de tempo até que o Borussia Dortmund se estabilizasse e engolisse a equipe da Renânia do Norte, e deu mostras de uma recuperação que provavelmente o levará a se fixar nessa posição, o que sobraria apenas duas vagas para UCL e uma direta.

O Bayer, assim como a grande maioria dos clubes alemães, vive na "bolha" de prosperidade que é a bundelsiga, e a sua carruagem era muito bonita com a vice liderança do alemão onde esteve por 12 rodadas, 10 consecutivas na vice liderança e jogadores como Sam, Son jogando muito bem e o artilheiro Kiessling fazendo gols em doses industriais. A aposta Sami Hyypiä como técnico parecia que a vaga e o título simbólico dos mortais (vice liderança) estaria garantidos. E a receita sempre passou pelo aproveitamento nesses jogadores. Só que algo desandou com a realidade dura, fora da bolha, nas competições europeias. Se classificou até de certo modo tranquilo num grupo que tinha Manchester United.



O primeiro jogo fora do campeonato alemão evidenciou as fraquezas do clube que levou um sonoro 4 x 0 em casa contra um poderoso PSG. Mas o que mais chama atenção é a queda vertiginosa na bundesliga, após as 10 rodadas seguidas na vice liderança, e já viu sua posição cair e já tem o Schalke, que também tomou duas lavadas seguidas, nos seus calcanhares, lembrando que dessas três derrotas seguidas, perdeu pro próprio Schalke jogando na Bay Arena. Só havia perdido 5 jogos até 19° rodada e era o 2° no quesito vitórias (não preciso citar o 1°, né). 

Esse viés de baixa é muito preocupante, até porque com o título já praticamente decidido, o que vai restar são as vagas para a próxima UCL, apesar de ter uma situação financeira sólida, jogar a maior competição europeia é sempre um reforço nos cofres. Hyypiä precisa achar uma solução para reorganizar a defesa, que era muito bem postada no início da competição. O time funcionava muito bem quando o seu esquema encaixava com o do adversário, o 4-3-3 com seus pontos a moda holandesa bloqueando laterais, diminuição de espaços era o suficiente pra fazer desse Leverkusen um time muito bem balanceado. Talvez essa auto suficiência transformou num time engessado, fácil de ser marcado e principalmente seus principais jogadores pararam de jogar o futebol que vinham apresentando. Essa sequência de vexames faz muito mal para o psicológico do time, que começa a ter o péssimo costume de perder, e pro professor Hyypiä reverter vai precisar de experiência, não de ex-jogador, mas de técnico, coisa que ele ainda não tem.

Os três próximos jogos na Bundesliga são determinantes para essa mini recuperação, dois jogos fora, Hannover (11°) e Bayern (podendo ser campeão em casa) e em casa contra o Hoffnheim (10º).

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

ONDE FICA A GRATIDÃO?


Quem era o Lewandowski antes do Borussia Dortmund? Um jovem jogador da segunda divisão polonesa que despontava como matador, jovem revelação da temporada 2006? Será que se ele tivesse aceitado a proposta do Blackburn (atualmente jogando a 2º divisão inglesa) ou do Genoa (briga pra não cair na Itália, nada além disso) ele seria um pseudo astro do futebol mundial? Qual é o sentido de gratidão?

Parece que gratidão não é algo que o polonês conheça. No episódio da transferência para o mais do que nunca poderoso Bayern ficou o sentimento de traição e ingratidão, na mesma medida em que seu ex-companheiro de Dortmund, Götze, saiu de forma ainda pior, as vésperas da final da UCL para o mesmo Bayern. Não quero entrar no mérito das ações do clube bávaro em relação a contratação de adversários, o Bayern é um clube poderoso, hegemônico, com uma estrutura fantástica e é óbvio que seja alvo de grandes jogadores trabalhar lá, minha intensão é questionar o fato de Lewandowski deixar o Dortmund de graça e jogar no grande rival, isso me soa como uma traição tremenda ao torcedor que o apoio desde de que ele ganhou a vaga de Lucas Barrios, ainda no período do 1° título alemão.



Sabe-se que o Real Madrid havia oferecido um contrato de 81 milhões de euros, entre luvas e salários e etc, o Bayern chegou a oferecer 30 milhões pelo atacante polonês. E o clube não aceitou a proposta, havia uma clara queda de braço. Lewa queria um contrato novo, com um enorme aumento de salário, Borussia não queria vender o jogador para o mercado alemão, preferia que ele fosse para o Real Madrid. O seu empresário chegou a dizer que a proposta do Madrid era "indecente", ficando claro qual era pretensão do atacante polonês, ir para Munique.

Significado da palavra gratidão: A gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.

Lendo essa definição, não vejo como Lewandowski possa pedir em sua página no Facebook para que os torcedores o apoie. Isso foi uma enorme facada nas costas do apaixonado torcedor prussiano. O atacante polonês firmou 5 anos de contrato com o poderoso Bayern, que começa a valer a partir de Junho de 2014. Como será a recepção dele quando o Bayern for a Dortmund? O certo que mais um que vai sair pelas portas do fundo, ao invés de ter deixado carinho e admiração, deixa o sentimento de ódio e revolta, o que teremos de camisas queimadas com o numero 9 será uma grandeza. Lembrando que ele ainda joga até junho no Borussia, será que Kloop ainda vai apostar nele como comandante de ataque, com o clima que está formado em torno dele?

Frases do empresário a cerca da proposta do Madrid:

"Houve uma oferta imoral do Real Madrid", disse Barthel ao Spiegel Online.

"Nós escutamos a oferta por respeito a um clube tão grande. Mas quebrar a nossa palavra nunca passou pela nossa mente", acrescentou ele.

Números de Lewandowski no Borussia Dortmund:

Em 3 anos foram: 139 jogos e 75 gols 

Na Bundesliga foram 98 jogos e 54 gols

Frase de Lewandowski ao torcedor do Borussia:

"Querido fã do BVB, hoje eu gostaria de dedicar esse post a você! Juntos, temos a metade do ano à nossa frente. Durante este tempo, temos objetivos em comum que gostaria que possamos alcançar juntos. Gostaria de assegurar a todos vocês que eu farei o meu melhor. Conto com o seu apoio! Lewy".


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

PROJETO SIMPLES E EFICIENTE

Algo que chama nossa atenção de uns 5 ou 6 anos pra cá, é como a liga alemã cresce a olhos vistos, apesar de não ter um campeonato tão atraente no quesito nível técnico ou competitividade de seus clubes a nível europeu, com exceção do sempre forte Bayern de Munique, que historicamente carrega o nome da Alemanha pelos quatro cantos da Europa, a bundesliga é um sucesso de público.


Um estudo da Pluri Consultoria envolvendo 16 países colocou a Bundesliga com um dos ingressos mais baratos entre as ligas nacionais, levando em conta o poder aquisitivo da população desses países  Só perde para Holanda e Japão. No topo da lista, com o ingresso mais caro dos países estudados, está o Brasil. Por isso entende-se porque estádios cada vez mais vazios.

Mais do que baratear o custo dos ingressos, a Bundesliga trouxe de volta o interesse do torcedor que andava muito morno, principalmente nos anos 80 e 90 (quando ainda era dividida em dois, até 1991). A consequência disso é uma presença cada vez maior não só de homens, mas mulheres e crianças que também contribuem para um crescimento que parece não ter fim. Muito também desse processo se dá pela modernização de estádios que aconteceram para a Copa de 2006. Processo que passou a Inglaterra no relatório Taylor, que elitizou o futebol por lá e pode ser que aconteça com o Brasil (o que eu acho difícil).


A relação entre os clubes e o fisco alemão é simples. É obrigatório que mais da metade das ações do clube (50% +1) sejam dos sócios. Não é permitida a venda do clube, como nos casos do Chelsea, Manchester City, Mônaco ou do PSG. As únicas exceções são o Bayer Leverkusen e o Wolfsburg, fundadas pela industria farmacêutica Bayer e pela montadora de automóveis Volkswagen, respectivamente. As regras financeiras são rigorosas e as punições em caso de débitos com clubes e jogadores são irreversíveis e inquestionáveis. Eventualmente algum milonário pode investir algum dinheiro no clube, como o caso de Dietmar Hopp, fundador do programa SAP e investidor do Hoffenheim, mas sempre dentro das regras já dispostas.

O resultado é uma competição de certo modo justa mas pouco competitiva no âmbito europeu. O Bayern de Munique ainda é a grande curva fora desse equilíbrio, pois tem uma arrecadação maior de todos por ter 10 milhões de torcedores, com um grande poder aquisitivo. Mas também isto é reflexo de 23 anos de grandes arrecadações. E mesmo assim, no período de 1990 até hoje, ganhou 12 títulos nacionais (23 no total, 14 a mais que o 2° colocado, o Nuremberg que ganhou seu último título em 1968), acumulou 5 finais de UCL, 3 vices e 2 títulos. O outro alemão que conseguiu um título expressivo nesse período foi o Borussia Dortmund, campeão UCL em 1997 e 1 vice na temporada passada e 5 títulos da bundesliga. Um domínio bem parecido com de outros países, especialmente na Inglaterra (13 títulos Manchester United), Itália ( 7 títulos de Juventus e Milan) e Espanha (12 títulos do Barcelona). O que torna a liga não tão diferente assim das citadas acima.


Impulsionado pelos novos estádios do Mundial de 2006, a média de público alemã foi as alturas. São no total de 45 mil torcedores por partida, a melhor do futebol mundial. E na Segunda Divisão é de 17 mil, melhor que todos os últimos anos no Brasil, exceção feita ao Corinthians, que há 3 anos alavanca um pouco a média tupiniquim. Fidelizar o torcedor da classe média alemã, com ingressos baixos e a aproximação da torcida com o clube, é o caminho de muito sucesso.

MÉDIA DOS PRINCIPAIS CAMPEONATOS:

1) Campeonato Alemão: 45.116 torcedores/jogo
2) Campeonato Inglês: 34.600 torcedores/jogo
3) Campeonato Espanhol: 28.796 torcedores/jogo
4) Campeonato Mexicano: 25.288 torcedores/jogo
5) Campeonato Italiano: 22.466 torcedores/jogo
6 ) Campeonato Holandês: 19.466 torcedores/jogo
7) Campeonato Francês: 18.870 torcedores/jogo
8) Campeonato Argentino ( Clausura 2011/12 ): 18.112 torcedores/jogo
9) Campeonato MLS (EUA + Canadá): 17.869 torcedores/jogo
10) Campeonato Inglês - 2ª divisão: 17.729 torcedores/jogo
11) Campeonato Chinês: 17.651 torcedores/jogo
12) Campeonato Alemão - 2ª divisão: 17.233 torcedores/jogo



MÉDIA DE TORCEDORES NOS PRINCIPAIS CLUBES ALEMÃES:

Bayer Leverkusen 
27,688(91,7%)

Dortmund 80.500 (99,7%)

Bayern de Munique 71.000(100%)

Schalke 04 61,019(98,9%)

Hamburgo 52,407(91,9%)
Stuttgart 49,816(82,4%)

Mönchengladbach 48,989(90,6%)